Temos trabalhado nos últimos anos em municípios de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), promovendo o Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável, o chamado DLIS, e nesses municípios percebemos que com o nosso trabalho secular estamos realizando uma verdadeira guerra espiritual, porque quando você realiza trabalhos sociais que visam tirar meninos e meninas das ruas, das drogas, da prostituição, você está resgatando essas crianças das garras de demônios que agem nessas áreas. Quando realizamos projetos visando a alfabetização de adultos ou a promoção de cursos profissionalizantes, estamos contribuindo para uma nova expectativa de vida nessas pessoas, dando a elas uma disposição mental diferente, capaz de vencer o pessimismo e a falsa noção de que eles não podem mudar sua pobreza, estamos também, destruindo sofismas e mentiras demoníacas.
Os demônios agem na mente, promovendo mentiras mentais e criando situações que inibem o agir humano, não permitindo o seu desenvolvimento. Segundo Darrow Miller, em seu livro Discipulando Nações, “a pobreza física tem sua raiz em uma mentalidade de pobreza, num conjunto de idéias mantidas corporativamente que produzem certos comportamentos (...) aqueles com pobreza de mente vêem o mundo através de óculos de pobreza”. Miller chama essas idéias de teias de mentiras que Satanás usa para escravizar culturas inteiras e que esses enganos causam um impacto não apenas nos níveis moral e espiritual, mas também no nível social, econômico e político.
Miller afirma ainda que “o cristianismo tem revelado que há uma guerra acontecendo entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, entre Deus e Satanás. Esse conflito espiritual não é apenas algo sobre o qual lemos em nossas Bíblias. Ele penetra nosso cotidiano no mundo de idéias e ideais, moldando nossa história, determinando nosso futuro, e de uma forma mais ampla controlando como vivemos. Enquanto algumas vezes é possível declarar neutralidade em um conflito militar, não é possível faze-lo na antiga guerra espiritual que toma conta de nosso planeta”.
A Igreja então precisa ter a responsabilidade social como uma de suas missões, porém o que percebemos é uma grande negligência das igrejas evangélicas em ações de transformação social. John Stott trata desse assunto em seu livro Mentalidade Cristã, quando constata que “é realmente estranho que em algum momento da vida os seguidores de Jesus tenham chegado ao ponto de perguntar se tinham algo a ver com engajamento social (...), pois a evangelização e a responsabilidade social sempre tiveram uma relação íntima durante toda a história da Igreja”. Para contribuir neste aspecto, temos realizado encontros com pastores e líderes cristãos com temas expressivos como “Desenvolvimento Comunitário e o papel da Igreja Local”, visando despertar e capacitar as igrejas evangélicas para o trabalho social, que não seja baseado no assistencialismo, mas sim na promoção da justiça do Reino de Deus na nossa sociedade, em nome de Jesus.
Esse é um bom momento para o povo de Deus despertar em Rondon do Pará e iniciar um processo de mobilização social que resulte na transformação dessa realidade de pobreza, baixa capacidade de geração de renda, violência e tantas outras mazelas, construindo os valores do Reino de Deus e proclamando o evangelho da libertação e da salvação.
*Escrevi este texto junto com meu amigo Moyses Mascarenhas, que é psicólogo e especialista em gestão do desenvolvimento local integrado e sustentável.

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