sábado, 15 de março de 2008

AS FESTAS SOLENES DO SENHOR

Introdução: Em Levíticos 23 o Senhor estabelece as festas fixas para o seu povo, não apenas como momentos comemorativos ou festivos, mas como santas e solenes convocações, em que todos devem participar. São em número de sete essas festas: a páscoa (pesach), os pães ázimos (matzot), as primícias (bakurim), o pentecoste (shavuot), as trombetas (zikaron teruah), a expiação (yom kipur ou kipurim) e tabernáculos (sucot). Três dessas festas são as principais, nas quais é obrigatória a presença de todos os homens: pesach, shavuot e sucot.

Tópico 1: VIVEMOS HOJE UM TEMPO DE RESTAURAÇÃO DA NOIVA

Restauração tem um significado diferente de reforma. No passado a igreja já passou por uma reforma, com Martinho Lutero e os reformadores, mas hoje ela está passando por um processo de restauração. Reformar significa dar nova forma; diferentemente de restaurar, que significa retornar ao estado original, não se podendo adicionar nada que seja autêntico em relação ao estado original do objeto restaurado. Hoje, a Noiva está sendo restaurada para encontrar o noivo.

A Igreja primitiva num primeiro momento se distanciou e, com o tempo, se desvinculou de Israel-Jerusalém, perdeu sua originalidade e assimilou valores, cultura e tradições de Roma e do paganismo. É preciso conhecer como se deu historicamente esse processo, para compreendermos o que Deus está fazendo hoje em sua igreja. Resumidamente, podemos identificar os seguintes ventos estranhos que sopraram sobre a igreja.

  • Deixou de celebrar as festas bíblicas e adotou festas pagãs;
  • Deixou de reunir-se nas casas, em pequenos grupos e no templo (Atos 5:42; 20:20), para se reunir apenas no templo;
  • Trocou o sábado de descanso pelo domingo de descanso;
  • Introduziu culto a santos, imagens e a Maria;

A igreja primitiva celebrava as festas bíblicas, como podemos ver em I Coríntios 5:7-8 e 16:8; o próprio Jesus celebrou as festas bíblicas, como pentecostes e tabernáculos (Mateus 26:17 e João 7:10 e 14).

O cristianismo era uma ramificação do judaísmo, já que os discípulos eram conhecidos como os “do caminho” ou “nazarenos” e freqüentavam e ensinavam nas sinagogas (Atos 19:8). O que aconteceu para que um cisma ocorresse entre as comunidades judaicas e as gentílicas?

Para obter a resposta a esta pergunta é necessário conhecer o panorama dos acontecimentos históricos, dos quais sintetizo alguns:

  • No ano 70d.C. houve a destruição do Templo, ordenada pelo imperador Tito. Jerusalém deixou de ser o centro da fé cristã e judaica.
  • No ano 132d.C. houve a Segunda Revolta Judia contra Roma. Seu líder chegou a ser proclamado Messias pelo rabi Akiva, provocando grande repercussão que distanciou os cristãos dos judeus.
  • No ano 135d.C. o imperador Adriano expulsou todos os judeus de Jerusalém. Mais tarde permitiu sua reconstrução, mas mudou o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina e o da Judéia para Síria Palestina.
  • No ano 306d.C. Constantino tornou-se o primeiro imperador cristão, oficializando o cristianismo e decretou que dali em diante a terra de Israel não mais pertencia ao povo judeu e sim à igreja cristã e a Roma.
  • Em 313d.C. as Sinagogas foram tornadas fora da lei e os judeus queimados caso não cumprissem a lei romana, a perseguição que antes era anti-cristã tornou-se anti-judaica, aprofundando cada mais o fosso entre a igreja e o judaísmo.
  • O Concílio de Nicéia aprovou a substituição de Israel pela Igreja e estabeleceu Roma como o centro da igreja, dando origem à teologia da substituição.
  • Daí em diante já são mais conhecidos os episódios da Idade Média, das Cruzadas, da Reforma (que não restaurou, mas sim reformou) e do Holocausto, estabelecendo definitivamente a cisão entre o judaísmo e o cristianismo.

Tópico 2: DEUS ROMPEU SUA ALIANÇA COM ISRAEL E COM O POVO JUDEU?

Paulo começa o capítulo 11 de sua carta aos Romanos fazendo essa mesma indagação para, prontamente, responder: Não! Segundo o apóstolo Paulo, pela transgressão do povo judeu (ao não aceitar Yeshua como seu Mashiach) veio a salvação aos gentios (v. 11). Somos a oliveira brava, enxertada e tornada participante da raiz e da seiva da oliveira verdadeira, Israel (v. 17). Não devemos nos gloriar ou ensorbebecer daqueles ramos que foram cortados para que fôssemos enxertados (vv. 20,21). Eles também serão enxertados (v. 24).

A aliança de Deus com Israel e com o povo judeu é perpétua, como está explícita e claramente declarado pelo Senhor em Jeremias 31:35-37. O próprio Yeshua regerá as nações a partir de Jerusalém, como podemos ver em Isaias 2:2-4, pois de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.

Tópico 3: DEVE O CRISTÃO CELEBRAR AS FESTAS BÍBLICAS?

O apóstolo Paulo em sua carta aos Colossenses 2:16-17 nos diz que as festas bíblicas são sombras de coisas que haviam de vir. Logo, elas têm um significado, um conteúdo, apontando para algo que Deus realizaria no meio do seu povo.

A celebração das festas bíblicas é de grande valia espiritual pois falam do Messias e apontam para um estado de libertação e crescimento espiritual, conforme podemos observar no significado da seqüência e do conteúdo de cada uma delas estabelecida por Deus.

Na Páscoa nos perguntamos se saímos realmente do Egito (o mundo), do sistema de escravidão e do pecado.

A festa dos Pães Ázimos nos fala do fermento, da velha natureza humana e do pecado.

No Pentecostes meditamos sobre os dons do Espírito Santo e tomamos posse daqueles que ainda não se manifestaram em nossas vidas.

No Tabernáculos vamos meditar em que medida temos permitido ao Messias tabernacular (habitar) em nós, sendo a presença d’Ele real e constante em nós, nos tornando em água viva.

As festas bíblicas são proféticas, revelam verdades de Deus e possibilitam nossa santificação. Cada festa tem seu significado, tem seu conteúdo, absolutamente válido até os nossos dias, e para que possamos compreender essa verdade bíblica, vamos exemplificar com duas dessas festas, a Páscoa e Tabernáculos.

Tópica 4: ENTENDENDO O SENTIDO DAS FESTAS BÍBLICAS

4.1. PÁSCOA:

1º. É necessário passar o sangue do cordeiro nos umbrais e nas vergas das portas da casa, onde o cordeiro será comido (Êxodo 12:7)

Para nós isso significa o nascer de novo, recebendo o perdão pelo sangue do cordeiro (Romanos 5:8-9) e comer o cordeiro significa tê-lo dentro de nós (I Coríntios 2:6).

2º. É necessário sair do Egito, que representa o sistema do mundo, não apenas sair mas ser liberto dele (João 1:29).

3º. Celebrando a festa da Páscoa, o Senhor passa estabelecendo juízo aos deuses (demônios) locais.

O apóstolo Paulo nos ensinou a celebrar os Pães Ázimos e a Páscoa como pães da sinceridade e da verdade (I Coríntios 5:7-8).

4.2. FESTA DOS TABERNÁCULOS:

A Festa dos Tabernáculos aponta para o passado (páscoa), o presente (pentecostes) e o futuro (a volta de Jesus). Todas as festas anteriores são uma preparação para esta festa, a mais importante de todas (Levíticos 23:33-43), que significa Yeshua Ha Mashiach tabernaculando em nossos corações para sempre.

Originalmente era uma festa agrícola.

1º. A lembrança da peregrinação pelo deserto e o sustento provido pelo Senhor.

2º. A fragilidade das tendas construídas era lembrança da fragilidade do povo quando peregrinava no deserto, a caminho da Terra Prometida. A tenda, barraca (sucah) ou as tendas, barracas (sucot), eram pequenas: sem compartimentos, obrigando seus moradores a se aproximarem física e afetivamente, promovendo união e unidade; a cobertura: devendo permitir ver as estrelas, lembrando o criador e sua provisão; sem estrutura sofisticada: simples, inspirando o lar dos seus habitantes; é abrigo provisório: temporário, mas símbolo da permanência e continuidade, de que um dia teremos um corpo definitivo revestido de glória. Nosso corpo é tabernáculo do Deus altíssimo.

A apóstolo João em seu evangelho, no capítulo 7, versículo 10 nos mostra Yeshua na festa dos Tabernáculos em Jerusalém. Imagine a cena: o cortejo dos sacerdotes vestidos de branco, os levitas, os instrumentistas, o derramamento da água dos cântaros no altar e Ele... Yeshua, o Logos, a Palavra Viva, explodindo num grito carregado de misericórdia:

Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (vv. 37-38).

Conclusão: Neste momento em que comemoramos Tabernáculos, em que o Senhor está restaurando sua noiva e tornando-a de volta à raiz da oliveira verdadeira, nosso entendimento se abre e passamos a compreender o plano de Deus para salvação da humanidade, desde os pequenos preparativos, os pequenos detalhes, até o momento atual. O amor e a alegria da igreja por Israel e pelo povo judeu é também restaurado, renovando essa aliança estabelecida pelo próprio criador. Se o povo judeu comemora as festas bíblicas ainda na sombra das coisas que viriam, nós conhecemos a Estrela da Manhã e comemoramos as festas bíblicas tendo Yeshua como o motivo de nossa alegria.

“Odê Adonai bechol libi, assaperá col nifleotêcha”

"Louvar-Te-ei, ó Eterno, com todo o meu coração; sobre todas as Tuas maravilhas contarei" Salmo 9:2

Bibliografia citada e utilizada:

1. Guimarães, Marcelo Miranda. A pessoa do Messias nas festas bíblicas, 2ª ed, Belo Horizonte: Ministério Ensinando de Sião, 2000.

2. Winkler, Fredi. As Festas Judaicas, Porto Alegre: Actual, 2003.

3. Apostila: Festa dos Tabernáculos, Ap. Rafael Ortiz, Ministério Ágape da Restauração, Belém-PA.

4. Comentários da Bíblia de Estudos Pentecostal.

2 comentários:

erisa disse...

excelente comentário!

as festas solenes, mais que simples rituais judaicos, são sábados festivos que mostram o plano de Deus para a humanidade, como disse Paulo, sombra das coisas que virão. Foram guardadas pelos primeiros cristãos, até mesmo entre os gentios, vide 1 Cor 5:7 e serão guardadas ainda no Milênio.

Um abraço,

Matheus (mcdsmbr@yahoo.com.br)

Yo'el Ben Yisra'el disse...

Shalom,Pastor!
Gostei muito dos seus comentários que eu vi pela web.Faço parte da Igreja de Atos em Recife-PE,e também seguimos a linha da restauração,ainda é um trabalho bem modesto,mas aos poucos as pessoas começam a entender esse processo de volta às raízes.