terça-feira, 29 de março de 2011

ESTER E A FESTA DE PURIM

 DEVEMOS CELEBRAR AS FESTAS BÍBLICAS

Paulo em sua carta aos Colossenses 2:16-17 nos diz que as Festas Bíblicas são sombras de coisas que haviam de vir. Logo, elas têm um significado, um conteúdo, apontando para algo que Deus realizaria no meio do seu povo e que em nossos dias nós podemos compreender e celebrar um Deus que age na história a favor de seu povo e dos seus propósitos para a humanidade.

A celebração das Festas Bíblicas é de grande valia espiritual, pois falam do Messias e apontam para um estado de libertação e crescimento espiritual do Povo de Deus. As Festas Bíblicas são proféticas, revelam verdades de Deus e possibilitam nossa santificação. Cada festa tem seu significado, tem seu conteúdo, absolutamente válido até os nossos dias e podemos extrair delas lições e motivos para glorificar a Deus e sua ação no decorrer na história, que permitiu e possibilitou a nossa existência nos dias atuais.

CELEBRANDO PURIM

A festa de Purim é o relato do livro de Ester, o único livro da Bíblia onde surpreendentemente o nome de Deus não é mencionado uma única vez.
Este livro nos conta a saga de um povo que, desterrado e aprisionado por seus inimigos, mesmo sendo vítima de constantes conspirações palacianas, manteve sua cultura e sua história de crença no seu Deus e em suas leis. Ester, uma menina cuja família foi arrancada de sua terra, é retirada de seu convívio familiar para servir no harém do rei. Mantendo suas qualidades de moça simples, valorosa e leal, cativou o coração do rei e dos palacianos, tornando-se rainha de um reino estrangeiro, e posicionando-se para ser utilizada por Deus para livrar seu povo do perigo da morte e do extermínio.

A história de Ester e a Festa de Purim nos ensinam que em meio a um tempo de angústias, de crises, de instabilidades e conflitos, devemos saber que não importa se estamos “sentindo” ou não a presença de Deus, pois o Senhor está sempre conosco! Assim como seu nome não aparece no livro de Ester, às vezes pensamos que Deus não se importa mais conosco e que estamos por nossa conta e risco. Não! Não é pelo que vemos, mas pelo que cremos, não é pelo que sentimos, mas por quem Deus é!

Salmo 121:4 diz que é certo que não cochila nem dorme o guarda de Israel. O povo de Deus nunca deve se considerar vítima da fatalidade, da sorte, do destino, do azar. Deus tem um plano maravilhoso para a vida de cada um de nós; plano este em harmonia com o seu grande plano redentor. Nós, porém, temos que fazer a nossa parte, assim como fizeram Mordequai e Ester se posicionaram adequadamente para que o Senhor, como sujeito oculto dessa história, pudesse usá-los para seu propósito.

AS FIGURAS CENTRAIS DO LIVRO DE ESTER

1. REI XERXES (também chamado de Achashverosh, Artaxerxes , Assuero e Ksacharsa)

Rei da Pérsia e da Média por 20 anos governava 120 províncias e estados, desde a Índia até a Etiópia. Construiu um enorme palácio em Susan, era popular por causa das grandes e infindáveis festas que organizava. É descrito como um rei autoritário para suas nações e estados, e este mesmo trato ditatorial aplicava a seus súditos judeus. O livro de Ester o descreve como sem caráter e caprichoso, incapaz de tomar decisões sem o auxílio de seus assessores. No palácio reinava um ambiente totalmente estranho ao espírito judeu: ostentação e gastos desmesurados, dissipação, luxo excessivo, álcool e festins. Como todo regime autoritário, o de Xerxes dependia exclusivamente de seus caprichos e estado de espírito. As decisões fundamentais eram tomadas em ambiente informal, desordenado, irresponsável, sob a influência do excesso de bebida.

2. HAMAN (Haman Ben Hamdata Haagagui)

Era o ministro mais importante do governo. Haman se tornou no mais perigoso e perverso inimigo do povo de Deus ao usar sua influência e autoridade como ministro para propor ao rei Xerxes o extermínio e a destruição de todos os judeus do reino. Com a concordância do rei, ele sorteou um dia (daí a origem da palavra purim, que é o plural de “pur” que significa “sorte”) e enviou cartas e decretos a todas as províncias para que no dia 13 do mês de Adar o extermínio do povo de Deus acontecesse. Segundo a tradição judaica, Haman era covarde e indeciso, embora o livro de Ester o apresente como um ministro sábio e valente.

O que ressalta e chama atenção nesse personagem é que ele era descendente de Agague, rei dos amalequitas. Os amalequitas foram o primeiro povo a atacar Israel depois que eles saíram do Egito (Êxodo 17:8-14) e por causa disso o Senhor jurou que riscaria o nome desse povo da terra. Muitos anos depois, ao ungir Saul rei sobre Israel, o Senhor deu-lhe como primeira missão guerrear e exterminar com o povo amalequita, no que o rei Saul foi desobediente ao preservar a vida do rei e animais do seu rebanho (I Samuel 15). Agora, tantos séculos depois, um descendente seu se levanta com poder e autoridade governamental na Babilônia dominada pelos Persas, para exterminar o povo de Deus.

Haman, o agagita, havia planejado exterminar os judeus e tinha lançado “Pur”, isto é, “Sorte”, para os assolar e destruir. Mas quando se apresentou ao rei para fazer enforcar Mordequai, seu propósito se virou contra ele, e os males que havia premeditado contra os judeus caíram em sua própria cabeça, sendo enforcado ele e seus filhos.

3. MORDEQUAI (Mordechai Hayehudi)

Mordequai era descendente da tribo de Benjamin, apesar de seu nome ser de origem Babilônica, pois muitas famílias judias deram a seus filhos nomes de origem babilônica durante o período do exílio. Sua família foi mandada ao exílio 72 anos antes da ascensão de Xerxes ao reinado persa.

Kish, um dos ancestrais de Mordequai, era o pai do rei Saul. Daí podemos ver que Mordequai era descendente do rei judeu que havia lutado contra Agag, rei de Amalec e seu povo (I Samuel 15), dessa maneira, a história tantos séculos depois volta a propiciar o encontro dos descendentes dos dois inimigos. O livro de Ester simboliza a continuação dessa luta e seu final.

Mordequai era um homem íntegro e temente às leis de Deus, que criou sua sobrinha Ester no conhecimento da história do seu povo e da lei do Senhor. Seu entendimento da Lei do Senhor não permitia que ele se curvasse diante de Haman e as autoridades reais, o que gerou ira e ciúme no ministro real, a ponto deste tramar sua morte numa forca que construiu em praça pública.

Mas a mão e a proteção do Senhor estavam com Mordequai, a ponto deste ter descoberto uma trama entre os eunucos do palácio real para tirar a vida do rei Xerxes. Por causa disso, algum tempo depois, após uma noite de insônia, quando ficou ouvindo leitura de relatos de acontecimentos registrados no país, o rei se lembrou e ordenou que Mordequai fosse honrado por seu alto ministro Haman, sendo conduzido pelas ruas de Susan com vestes, acessórios e cavalo real.

Foi Mordequai quem desafiou a rainha Ester a realizar seu destino e propósito ali no palácio real, intercedendo ao rei para que seu povo não fosse exterminado, conforme decretara Haman com anuência do rei.

4. ESTER (Hadassa)

Era uma menina órfã, cuja família havia sido desterrada de Israel para a Babilônia durante o cerco de Nabucodonosor, cerca de 100 anos antes. A Bíblia a descreve como uma inocente filha do povo de Israel e como uma mulher de valor, valorosa. Com sua inteligência, conseguiu provocar uma crise de confiança, tensões e ruptura nas até então excelentes relações entre Xerxes e seu ministro Haman. Graças isso ocorreu o milagre do livramento do povo de Deus de ser exterminado e Ester entrou para a história como aquela que salvou os judeus do extermínio planejado por Haman.

Ester foi criada pelo seu tio, Mordequai, que a adotou como filha para educá-la após o falecimento de seus pais. Ainda jovem foi retirada abruptamente do convívio com seu tio, quando o rei Xerxes decidiu renovar seu harém após a decepção amorosa que tivera com a rainha Vasti. Ao fazer parte do harém real, Ester deixaria de ter uma vida própria, casar-se e constituir família, para servir aos desejos do rei junto com outras dezenas e centenas de moças na mesma situação.

O drama vivido por Ester para salvar seu povo foi ainda mais intenso porque o rei Xerxes havia passado por uma grande decepção da rainha Vasti que tinha desobedecido suas ordens reais e na corte do palácio havia um clima de animosidade com as mulheres que serviriam ao rei, a ponto de ter sido decretado que os homens assumissem a liderança de suas casas, além de outro decreto que penalizava com morte aquele que entrasse na presença do rei sem ter sido convidado ou consentido.

As qualidades do caráter de Ester são destacadas em seu livro e dentre elas podem ser notadas: cativante, obediente, formosa, modesta e humilde, intercessora (buscou auxílio com jejum e oração), corajosa, leal e persistente. Assim, ela conquistou o coração e a confiança do rei Xerxes e de todo o reino da Média e da Pérsia, e seu nome é conhecido entre a história das nações. Ester também prefigura a Noiva, a Igreja, que irá ao encontro do seu Amado, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

Os acontecimentos do livro de Ester se dão pelo menos 30 anos antes da narrativa de Neemias, que foi autorizado a retornar para Jerusalém, pelo rei Artaxerxes I, sucessor de Xerxes, para reconstruir Jerusalém e o templo, e se tornou governador de Judá por 12 anos.

O SENTIDO ESPIRITUAL DE PURIM EM NOSSOS DIAS

As Festas Bíblicas foram corrompidas e distorcidas por Roma no decorrer da história da igreja cristã. Assim vemos vários aspectos de Purim terem sido modificados para outras festas e datas (como a troca de presentes e a ceia familiar, que passaram para o natal que não é uma festa cristã nem bíblica; ou mesmo ou malhação do Judas que foi transportada da tradição da festa de Purim quando os judeus faziam a malhação de Haman).

Mas o principal sentido da Festa de Purim para nossos dias, ao celebrarmos o livramento concedido por Deus ao seu povo, ao desbaratar os planos do inimigo e honrar seu povo, está na generosidade da alegria em compartilhar (com presentes, comida e dinheiro) com os necessitados e com nossos irmãos daquilo que temos recebido do Senhor. É o desejo de alegrar o coração do outro, através das dádivas de presentes, que partem do entendimento de que “é melhor dar do que receber” (Lucas 6:38; Atos 20:35) e que nos faz um povo generoso e alegre. Que seja esse o espírito de Purim sobre nós.

O texto chave desse livro se encontra em Ester 4:14 e nos remete a nossa responsabilidade diante dos propósitos de Deus para nossas vidas, conforme o Salmista aponta em Salmos 139:13-16. Celebrar Purim nos libera de nós mesmos, de uma cultura egocêntrica, de um evangelho centrado na satisfação pessoal e particular, e nos lança para uma nova cultura e entendimento de que somos um povo com uma mentalidade de semeadura e de colheita, que somos uma geração através da qual o Senhor se estenderá para as próximas gerações, que as próximas gerações conquistarão mais do que somos capazes de conquistar, pois não estamos sendo omissos, mas estamos cumprindo os propósitos do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores para esta geração.

Fidelis Jr. Martins da Paixão

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
 
1. Yalkutá folclórico de Purim – Yom Tov Levinsky

2. A Festa de Purim e a Grandeza de Mardoqueu - R. Davida Jones

Um comentário:

Fabiana disse...

Nossa...!!!!! Eu estou bastante feliz por descobrir tanto sobre o nosso povo....e que coragem teve a Ester....Parabéns pr. Fidelis, continue sendo essa pessoa preocupada em informar seus leitores.....Deixa Deus te usar mais e mais...A Paz do Senhor..!